quarta-feira, 29 de setembro de 2010

IMPRENSA DÓCIL COM MARCONI !!!!!


  
         João Luís Felix de Sousa Bufáiçal   

               Risível - pra dizer o mínimo - o comportamento baba-ovo adotado pelos repórteres do Jornal Opção na entrevista com o candidato Marconi Perillo na edição de domingo passado (19 a 25 de setembro de 2010) do semanário. Por que será ? O senador está deixando o seu mandato pela metade para concorrer novamente ao Governo de Goiás e nenhum questionamento incisivo lhe foi feito. Por que será que o senador não quer esperar concluir seu mandato no Senado para só então voltar a disputar o Governo do Estado ? Seria por causa de sua inexpressiva e apagada atuação como senador ? Ou por medo de depois não conseguir mais retornar ao Poder Executivo para manipular e maquiar a realidade das coisas ? Será por medo de que qualquer adversário (qualquer um mesmo!), sendo eleito, venha a descobrir e revelar realidades nada edificantes dos seus dois governos? Se até o ex-vice dele e atual governador precisou romper com ele, o que esperar então de qualquer outro adversário ? Por que tanta ânsia de voltar ao poder ? Não seria melhor concluir primeiro o mandato de senador por Goiás para só depois voltar a buscar o cargo de chefe do Executivo Estadual ? Afinal, o candidato ainda é "moço" e foi eleito para um mandato de oito anos, tendo toda uma carreira política pela frente, não é mesmo ? Eu realmente não entendo. 
               Mas voltando à entrevista, ficou claro que os entrevistadores (de uma maneira geral) se preocuparam apenas em levantar a bola para o Sr. Marconinho destilar sua pirotecnia paralogística de números e dados artificiais com pouca ou nenhuma consistência. Isto é, sem a correspondente e saudável  palpabilidade.
               São dados e mais dados falaciosos de um governo cuja marca principal foi mesmo o marketing e a preocupação com as posições pessoais de seus membros e apaniguados. E tome propaganda !
               Como se já não nos bastasse a aberração tendenciosa, anti-ética e vergonhosa do Diário da Manhã - que está se tornando cada dia mais um caso de calamidade pública de parcialidade e desprestígio -, os jornalistas do Opção, de quem deveríamos esperar perguntas mais inteligentes e instigantes, simplesmente tocam uma entrevista insossa e burocrática com um candidato a governador sem fazer qualquer objeção ou confrontação mais séria acerca de diversas questões gravíssimas envolvendo os dois mandatos do ex-governador. São inúmeras as omissões - e, portanto, explicações - que o senador tem a dar à sociedade goiana, sem falar nas várias deficiências de sua gestão.  
               Na trajetória oficial do candidato, não são poucas as incongruências e contradições. Por exemplo: em 1998, o candidato Marconi Perillo se apresentou como o novo (em oposição ao chamado "Tempo Velho"), e acusava o PMDB, por meio do sem-gracíssimo e vulgar (pra não dizer breguíssimo) "Nerso da Capitinga", de ter sido uma panela a governar Goiás por vários anos. O antipático, crasso, e repetitivo "Nerso" só não explicou ao povo de Goiás que o próprio Marconinho havia sido participante desse período, como membro do Governo Henrique Santillo - este sim um sujeito bem mais sério e não preocupado apenas em se auto-promover com gastos monumentais em propaganda e marketing -, e Presidente do PMDB JOVEM DE GOIÁS.
               Ou seja, vendeu um engodo !  
              Em São Paulo, o PSDB está no poder há tanto tempo ou mais do que o PMDB esteve em Goiás, mas o debate não transcorre num nível tão sorrateiro. A população de Goiás  merece esclarecimentos! Um candidato que se apresentava como “Tempo Novo” era, na verdade, apoiado por forças políticas arcaicas como, dentre outros, Otávio Lage, Pedrinho Abrão, Ary Ribeiro Valadão etc., todos eles originados e/ou identificados com o período ditatorial em Goiás.
                Há um sem-número de questões gravíssimas que sequer foram mencionadas pelos jornalistas durante a entrevista, como o assassinato de um motorista de VAN (pai de família e trabalhador) do Transporte Alternativo logo no primeiro ano do mandato de Marconi (1999), e, para piorar a situação, no Câmpus da Reitoria de uma instituição federal de respeito: a UFG. Além disso, é preciso considerar também o segundo expurgo do Transporte Alternativo, ocorrido no início do seu segundo mandato (2003), que foi o “Confronto da Praça Cívica”, ocasião em que os motoristas de VANs - que reivindicavam o cumprimento dos compromissos assumidos com a categoria - foram limados e defenestrados do sistema de transportes do Estado (tirados de vez de circulação!) -, o que jogou centenas de pais de famílias na vala comum do desemprego. Donde se conclui que o candidato Marconi escondia suas posições contrárias aos motoristas do Transporte Alternativo durante as campanhas, para, em seguida, depois de eleito, perseguir os membros de movimentos como esse, não-hegemônicos na estrutura econômica, e que por isso acabavam expondo as chagas e os pesados problemas de uma engrenagem social perversa.
                   É o que está acontecendo agora, com a perseguição e as tentativas de calar a candidata ao governo Marta Jane, assim como fizeram com o candidato a deputado estadual Martiniano Cavalcante e o radialista Jorge Kajuru, cuja Rádio K, depois de ter a energia elétrica cortada sucessivas vezes enquanto a programação ia ao ar, foi fechada sete vezes até culminar na censura, retirada de circulação do livro “Dossiê K” (fala-se que um estudante teria sido morto quando a polícia apareceu para lhe tomar um exemplar que tinha em mãos), e finalmente a expulsão do radialista do território de Goiás.  
                   E ainda vem o senhor Marconi posar de bom moço e fazer críticas e promessas mirabolantes em relação ao setor de Trânsito e Transporte Coletivo (!). Ora, somente com pouca informação e muita amnésia é que alguém pode se deixar seduzir por uma verborragia tão enganadora.
                   Quem não se lembra das promessas de construção do tão falado Metrô de Superfície em Goiânia? Pois é, não se moveu uma palha. E olha que o Marconinho tinha a seu lado diversos dirigentes tucanos, como o presidente da república, FHC, o ministro da fazenda, Pedro Malan, o prefeito de Goiânia, Nion Albernaz etc. Todos do PSDB. Isso pra não  falar que a “indústria de multas de trânsito” havia começado justamente nesse período tucano.
                   Mas não, em vez de honrar a palavra dada e as promessas feitas, preferiu investir e se envolver obstinadamente no famigerado e malfadado projeto LAGO de BELA VISTA S/A, que iria consumir vultosos e preciosos recursos da população de Goiás numa ideia altamente duvidosa e desnecessária, que fora até mesmo desaconselhada pelo grande jornalista e renomado ecologista Washington Novaes, que à  época tinha relações institucionais com o Governo do Estado.
                  E o que dizer da promessa do Teleporto da Serrinha? O ex-governador Marconi Perillo (Periggo?) anunciou na época que iria construí-lo, mas a obra jamais saiu do papel.
                  E o anúncio hilário do Trem-Bala com o então governador do DF Joaquim Roriz? É provável que tenha sido construído. O único problema é que esse Trem-Bala passa tão rápido que ninguém consegue vê-lo!   
                 E a cratera gigante que ficou no lugar do que era pra ser o “Centro de Excelência”, o demolido Estádio Olímpico de Goiás? Esse estádio histórico foi palco de partidas antológicas de futebol, algumas até com o rei Pelé, fora as finais vibrantes entre os times goianos, e também os espetáculos nacionais e internacionais de música. Eu mesmo não sei a quantos eventos eu fui assistir nesse tradicional espaço dos goianos. Só sei que, como ex-morador da Rua 55 no Setor Central, posso asseverar que o que ficou depois da destruição do Estádio Olímpico há cinco anos foi apenas vento de muita poeira e terra.
                  Ah! Ficaram também os focos de dengue para os moradores da região...
                 É de se perguntar : o candidato Marconi Perillo, antes de fazer tanta pirotecnia (como fez ao deixar o governo em 2006, contratando um intenso foguetório, calculado e forjado para iludir e impressionar os mais tolos e ingênuos), não deveria se preocupar com a viabilidade e concretude de suas propostas megalomaníacas ? Afinal, ele deixou muita coisa sem fazer, como hospitais inacabados, servidores do Judiciário sem receber, 245 mil casas prometidas e não construídas, rombos bilionários não explicados, investimentos em saúde e educação inferiores ao mínimo determinado pela Constituição, diversas obras por concluir (mas que mesmo assim foram inauguradas!), malha viária arrebentada e permeada de buracos imensos (lembro-me bem do drama que era viajar pelo Estado até os idos de 2006, quando ir a municípios como Santa Bárbara, Nazário, Turvânia, São Luís de Montes Belos,  Firminópolis, Israelândia,  Iporá etc. era um verdadeiro martírio, em razão do estado deplorável dessas rodovias). Depois disso, a situacao das GOs melhorou bastante, embora a situação ainda seja um pouco precária e demande um governante com real vocação para a infra-estrutura, trabalhador de verdade, e não tão marqueteiro.
                Outra coisa: será que os Ministérios Públicos Estadual e Federal estão em condições de acompanhar, fiscalizar e coibir todos os possíveis abusos do poder econômico nestas eleições ? Quem será que está financiando uma campanha tão cara e ostensiva ? Seria a HYUNDAI?  Seria a SCHINCARIOL ? Os Frigoríficos ? A Faculdade Alves Faria ? As grandes empreiteiras ? Os funcionários públicos mais abastados (incluindo os fantasmas)?
                São tantos os cabos eleitorais contratados (artificiais) quanto o número - ainda não sabido - de carros plotados, apoios vendidos, exércitos de aspones etc e tal.
                É bom lembrar que os tais funcionários públicos supostamente perseguidos pelo Governo Iris Rezende Machado eram, em boa parte - quiçá a maioria -, cabos eleitorais da campanha derrotada de Otávio Lage em 82, e que foram em seguida nomeados pelo Governo do Estado para comprometer e sabotar o futuro governo democrático que começaria em 1983.
                Convém lembrar ainda que os grandes empresários e as grandes empreiteiras que apóiam um candidato (e boicotam os demais!) não injetam fábulas de dinheiro numa campanha apenas por simpatia, sem esperar nada em troca. Ao contrário, vão cobrar a fatura, e essa fatura tende a recair nos ombros de toda a população, quer tenha votado em Marconi ou não.
               É verdade que alguns desses mega-empresários do setor de Concessões Públicas em Rodovias estão só esperando para implantar os seus pedágios nas estradas goianas? Está faltando debater isso a fundo, e o Jornal Opção perdeu uma grande oportunidade de interpelar o senador Marconi quanto às suas verdadeiras intenções nesse sentido, para fazê-lo explicitar todos os detalhes sobre essas Parcerias-Público-Privadas referidas por ele, visto que as supostas vantagens desse sistema na área de rodovias aqui no nosso Estado são bastante discutíveis. Pelo menos nessa área. O fato inescapável é que, com o que se arrecada em impostos, jamais seria preciso instituir pesados pedágios para a manutenção das estradas se não fossem os desvios, subornos e mamatas. E a ganância desenfreada !
                Nada contra as PPPs em si, mas em outras áreas de atuação do Poder Público, como os Presídios, por exemplo.  Já no caso das rodovias do Estado, será que a população não passaria a ser extorquida em seu direito de locomoção ? Já pensou ter de desembolsar ainda mais dinheiro para trafegar pelas cidades e regiões de Goiás ?  E tudo isso para engordar ainda mais os lucros sórdidos de algumas empresas vorazes e inescrupulosas, não obstante a população já pague altíssimos tributos como o escorchante IPVA, a Taxa de (re)licenciamento do veículo, a Taxa de entrega de documento em domicílio (sim, ela não foi totalmente extinta), o Seguro DPVAT etc.
              Não podemos esquecer que há empresários do Transporte Coletivo que até esses dias estavam cobrando (pasmen!) CPMF dos passageiros, imposto que nem existe mais. Portanto, devemos ficar muitíssimo atentos.        
              O fato é que o candidato Marconi é mesmo um sujeito muito esperto, ladino e astuto. Ele sabe que as circunstâncias peculiares que possibilitaram a vitória dele em 98 dificilmente se repetem, então ele tratou, logo depois de eleito, de favorecer os setores mais abastados e poderosos da sociedade, sendo inclusive bastante generoso com a imprensa e os principais veículos de comunicação do Estado, o que garantiu a ele o suporte na mídia e uma espécie de blindagem operada com sutileza por todos os seus aliados, em todas as áreas.
             Por que será que o atual governador Alcides se sentiu compelido a revelar aos poucos a verdadeira situação do Estado e, com isso, não ter outro caminho a não ser o rompimento com Marconi? Será que não havia nenhum déficit nas contas do Estado ? Será que não havia mesmo o propalado rombo de bilhões de reais na CELG, mesmo depois dos gastos abusivos com contratação (a peso de ouro) de escritórios particulares de advocacia e serviços de publicidade para uma empresa que, além de ser a maior estatal do Centro-Oeste, nunca teve qualquer concorrência?
              
              Será que  faz algum sentido ?
              Quanto ao discurso de “criação da UEG”, é imperioso lembrar da pré-existência da UNIANA, a UNIVERSIDADE DE ANÁPOLIS, instituição que deu a estrutura  para a UEG, e que contava, por exemplo, com um elogiado curso de Odontologia, onde se formaram  profissionais  respeitados na área. Mas o discurso oficial do “Tempo Novo” jamais levou em conta a existência da UNIANA. Por que será?!
              Por que será que, além do doutor Alcides, também romperam com Marconinho o deputado federal Ronaldo Caiado (um dos que mais trabalharam, senão o que mais trabalhou pela sua eleição para governador em 98, e que depois viria a público denunciar, além da debandada de prefeitos do PFL para o PSDB - operada por Marconi -, o enriquecimento ilícito de secretários do então governador tucano!); o ex-secretário da Fazenda Jorcelino Braga, que foi um dos coordenadores da campanha de Marconi ao Senado em 2006; o ex-secretário estadual de Juventude do Governo Marconi, Sandro Resende, hoje candidato a deputado estadual pelo PT; a jornalista e ex-deputada estadual Raquel Azeredo; o deputado federal Sandes Júnior; o ex-secretário de segurança pública Ernesto Roller; o senador Demóstenes Torres (que aliás denunciou em 2006 que Marconi havia mandado atirar em sua casa - numa  clara tentativa de intimidação -, e xingou o tucano de “maloqueiro”, “ladrão”, “analfabeto”, “vagabundo”, e outros termos impublicáveis). Outros que também se afastaram de Marconi foram, por exemplo, Nilo Perillo, primo de Marconi; o presidente regional do PP, Sérgio Caiado; o ex-prefeito de Palmeiras de Goiás (terra do Marconi), Sebastião Ramos;   etc.
             Cabe mencionar ainda que o próprio candidato a vice-governador na chapa de Marconi, o advogado eleitoral José Eliton, do DEM, pediu a impugnação da candidatura de Marconi ao Senado em 2006, ou a cassação do seu mandato.
             Será que somente Marconi Perillo estaria certo e todos os outros equivocados ?                        
             Que motivos teria o doutor Alcides, que não é candidato a nada nestas eleições, para revelar alguns escândalos do período Marconi e acabar rompendo com ele?   
              Uma eleição estadual é algo extremamente sério. Não é para ser comprada pelos mais ricos. Pelo contrário, deve ser ampla e profundamente discutida em seu modelo e em suas propostas, sobretudo com a parcela menos informada da sociedade, sem ludibriar as pessoas mais simples e sem passar um “blush” na realidade social para deixá-la com uma fachada mais atraente. O fato de o candidato Marconi ter recebido várias sugestões e propostas para a elaboração do seu plano de governo faz parecer que todos os pontos a ser implementados são democráticos e acolheram as ideias dos diversos segmentos da sociedade, o que não é verdade.
              Na prática, nós sabemos que as pessoas não seriam igualmente contempladas. Nem de longe. Com efeito, as desigualdades e assimetrias persistiriam até onde a vista consegue alcançar. Pra não dizer que aumentaria a concentração de renda nas mãos dos já muito poderosos.                 
              O “VAPT-VUPT”, que Marconi e seus puxa-sacos gostam de dizer que foi implantado na  gestão dele, na verdade já existia em outros Estados havia um bom tempo. Ele não criou nada. Rio de Janeiro, Bahia, Paraná etc. já contam com esse serviço desde bem antes de o Sr. Marconinho chegar ao poder em Goiás. Em alguns lugares, o sistema recebe o nome de “ZÁS-TRÁS”.
                Por isso, é de se lamentar que o Jornal Opção, ao invés de qualificar o debate apresentando ao candidato perguntas essenciais e contrapontos fundamentais, tenha sido tão chapa-branca, limitando-se a endossar o que diz o senador em seu discurso fácil, apoiado e sustentado em sua milionária e megalômana máquina de campanha pelos setores mais favorecidos do Estado.
                A própria palavra candidato vem de “cândido”, “puro”, que significava os que se vestiam de branco para se apresentar como pleiteantes a cargos públicos. E o que se verifica facilmente no senador Marconi é um candidato solerte, manhoso, dissimulado, com altas doses de veneno e malícia na manga...
                Não nos esqueçamos do trágico episódio da desocupação do Parque Oeste Industrial. O Sr. Marconi se comprometeu com os líderes do Movimento de ocupação a apoiá-los nas suas demandas pelo local, em reuniões que chegaram a ser gravadas. Há quem diga que, além de estimular o Movimento, ele chegou a fornecer recursos e apoio logístico em troca de apoio ao seu candidato a prefeito em 2004, Sandes Júnior.
                O maior temor de Marconi à época era o retorno do então candidato a prefeito Iris Rezende à cena política, o que fatalmente acabou acontecendo. Daí o apoio engajado do então governador a Sandes Júnior.
                Durante a ocupação do terreno no Setor Parque Oeste em 2004, o Movimento dos ocupadores foi visto pelos políticos como um possível contingente eleitoral. O mais provável é que Marconi tenha enxergado no Movimento uma possibilidade de barganha política em favor e em reforço da campanha eleitoral do então candidato Sandes.
                Como a idéia era tentar barrar a onda Iris, que experimentava um crescimento fantástico nas intenções de voto na capital, as suspeitas fazem sentido.
 
                Por que não se pode falar disso?
               Não estou dizendo aqui que a ocupação era legítima ou não era legítima. Estou dizendo que o então governador Marconi Perillo estava envolvido com a questão, tanto é que já foi convocado pela Justiça para prestar depoimentos e esclarecer sua participação no infeliz episódio. Falta explicar à população, que tem memória curta, se o seu envolvimento foi mesmo para beneficiar a candidatura de Sandes Júnior. 
               De qualquer forma, o candidato apoiado por Marconi não foi para o 2o turno (como também aconteceria quatro anos depois, nas eleições de 2008), e aí já não havia mais motivos para manter o compromisso com o Movimento. Então veio a desocupação, no comecinho de 2005, e duas pessoas morreram. A inconsequência  e  irresponsabilidade política  foram tão grandes na tragédia que até mesmo a revista VEJA, de linhagem nitidamente tucana, publicou uma reportagem com o título “DEMAGOGIA QUE MATA”, com a foto principal de Marconi e um relato sobre a sua responsabilidade no caso.
              Vamos acordar, gente !

      João Luís Felix de Sousa Bufáiçal é músico, advogado e professor universitário.
      E-mail : joaoluisbatera@gmail.com

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Não somos um tabuleiro de xadrez

Tecnologia meio para ganha tempo e precisão reduzir esforços. E foi pesando assim que o século XIII achou que todos iram beber chá e fumar o dia todo que aviriam inventos que retirariam a triste face laboriosa da vida, para quem visse labor em algo, mas à frente no tempo ganhamos vários aparatos armas para troca de sistemas sociais e algumas outras lindas armas em forma de programas de auditório e comercias de TV e comida congelada.

É certo que o rei pode compra a música o musico e a flauta, mas quem dá o tom? , não quero propor uma guerra já existe varias que são as mesmas todos os dias, nos os braços vamos engolindo calados e oprimidos certos desaforos feito por humanos, pensei que a tecnologia nos defenderia de animais, doença, catástrofes ambientais, mas para lazer e luxo soberbas de alguns estamos sucumbindo acredito que criamos costumes e que fizeram transforma amor em lucro divino em ouro, não quero passar por cima e para o outro lado do club the tie com suas convicções, escapando da miséria econômica não se escapa do empobrecimento da vida, o que Niccoló Machiavelli quis dizer?   se quer pode ter sem dúvidas mas os fins justificam os meios você e o meio a experiência a parte a ser justificada faça o teste como nosso querido personagem Dostoiévskiano do romance crime e castigo pague o preço se for capaz somos humanos e não um tabuleiro de xadrez. A ganância inescrupulosa burguesa não vai para, o certo e que o sol afeta todos nos de uma forma ou de outra para ser poético não digo o petróleo nos afeta de um a maneira ou de outra, por isso convido a todos para dar o tom, e que seja preto e branco. 

Eu voto nulo!

Houve um tempo em que votar nulo era um voto de protesto. Significava recusar o teatro armado pela ditadura para referendar os candidatos considerados “positivos” à “segurança nacional”. Todo um aparato institucional fora construído para filtrar qualquer tipo de oposição, mantendo sob controle a arena política. Perante isto não participar era protestar. Hoje, no entanto, a situação supostamente é outra. A ponto de alguém que vote nulo ser facilmente contestado com a irritante e ingênua pergunta “mas você prefere se anular?”. Isto é indício de algo importante: as pessoas confiam no voto como manifestação máxima da participação política em uma democracia. Acreditam piamente que com o “voto pode decidir seu destino”.
Em que se sustenta esta identificação entre “voto” e “participação política”? Que conseqüências ela trás? Minha opinião é que a coligação no poder entre PT-PMDB é o maior símbolo do quão catastrófica esta identificação pode se tornar. O PMDB é uma máquina partidária, altamente regionalizada, sem nenhum tipo de unidade ideológica, mas com uma capacidade eleitoral assustadora (ganhar o PMDB é meio-caminho para o Planalto). É formado por políticos profissionais, sem nenhuma relação orgânica com algum setor social em específico, a não ser relações de financiamento. Os políticos do PMDB sabem onde está o dinheiro e sabem que interesses defender para mantê-lo jorrando no interior do partido.
Não faz tanto tempo assim o PT era apresentado como a antítese do PMDB. Era um partido com base social, com um debate interno rico e divergente, com ideologia política sempre definida ao redor de um programa de partido. Isto tudo é passado. O PT hoje é uma máquina burocrática tão ou mais “profissional” que a do PMDB. As áreas divergentes do partido foram progressivamente retiradas através do discurso da ala vencedora (a famigerada “Articulação”). Trata-se do mais estúpido e mentiroso discurso pelo qual um partido de esquerda já se enveredou, aquele do “precisamos ganhar a eleição”, pois “estando no poder, nosso jeito de governar é diferente”. Você nunca ouviu um petista dizer que o PT coloca em prática a agenda do PSDB melhor que o próprio PSDB?
A situação é simples, meus caros. O PT percebeu que para ganhar as eleições era preciso se render às estruturas partidárias e que para entrar nesse jogo era preciso abandonar vários tópicos da agenda partidária. Em outras palavras, era preciso “endireitar”. Aqueles que não concordassem que arrumassem outro partido. Neste caminho o partido deveria transformar sua imagem de “partido dos trabalhadores” em “partido do povo”. Como fazê-lo conciliando com as exigências dos novos parceiros? Bolsa-família, Fome Zero e Pro-Uni. Financiado com o aumento dos tributos sobre as classes médias, sem confrontar nunca, jamais, em hipótese alguma, os interesses do grande capital (ou alguém acha que o astronômico orçamento da campanha “Dilma-Lula” caiu do céu?). Com esta política social covarde e ineficaz, e valendo-se da política econômica de FHC pós-crise do Real, Lula atingiu índices de avaliação positiva “nunca dantes vistos” e deve fazer sua sucessora.
O destino “trágico” do PT deveria nos ensinar algo. Confrontado com a opção “participar do jogo eleitoral” ou “perseguir sua agenda política”, o partido escolheu a primeira opção e criou um “monstro”. Será que este jogo eleitoral permite participação democrática? Que instituições nossa democracia nos oferece como canais de participação política? Minha posição é que nossa situação é antidemocrática, quase ditatorial. Todos os canais nos foram vedados, sobrando-nos apenas... votar. Participar de um jogo eleitoral onde o que conta são duas variáveis: máquina partidária e estratégia publicitária. Nada está mais distante de um autêntica debate político que este circo eleitoral. Basta assistir à propaganda eleitoral gratuita. Com raras exceções (da extrema esquerda, totalmente desarticulada), não há debate ideológico, não há posicionamento real, apenas uma monótona repetição das mesmas palavras. Todos são a favor da segurança, educação, saúde e blá, blá, blá. Todos querem representar esta entidade abstrata, inexistente, este artefato de manipulação ideológica chamado “o povo”. Pois bem, neste cenário, a democracia representativa torna-se sinônimo de dominação e não participar do jogo eleitoral, mesmo sendo obrigado a votar, é novamente protestar.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

POR UMA ATITUDE PUNK DO ELEITOR BRASILEIRO

Sergio Buarque, em Raízes do Brasil, chama a atenção para a aversão dos colonizadores do Brasil em “subordinar esta vida a normas regulares e abstratas”, segundo o autor “a rotina e não a razão abstrata foi o principio que norteou os portugueses (...) que preferiam agir por experiências sucessivas, nem sempre coordenadas umas às outras, a traçar de antemão um plano para segui-lo até ao fim”.
Ao que parece os séculos seguintes transformaram radicalmente ou os homens dessa terra, ou os sentidos da razão abstrata. Falo da extrema, e até cega, fixação que o brasileiro expressa atualmente em transformar os mais diversos assuntos em leis positivas, como se essa atitude resolvesse de forma pratica nossas mazelas modernas ou coloniais. Digo, mudanças sociais efetivas são expressas no cotidiano, e sabemos que no Brasil não basta que orientações ou determinações estejam inscritas em Lei para que sejam cumpridas, ainda que tenham efetivamente meios materiais alocados para tal (não é o caso da chamada Lei Seca no qual o Estado não fornece o suficiente efetivo humano nem material, e talvez o mais absurdo, não somos obrigados a fornecer provas materiais contra nós próprios, como cumpri-la então?). Popularmente dizemos que a Lei X (Lei Seca, por exemplo) “não pegou”, e isso é tudo, deixemos que os Senhores “esclarecidos” façam outra, e rezemos para que “pegue” afinal o tal Deus é brasileiro e tratará de inspirar nossos heróis idealistas. Porem o mundo das idéias só existe via um corpo ativo e reativo num mundo material, e se partirmos do ideal para o material construiremos camisas-de-força.
De acordo com as atuais características de nosso sistema político, contamos com a faculdade de transformar em Lei projetos de iniciativa popular, o que dá a todo brasileiro o direito de escolher um assunto, coletar a necessária quantidade de assinaturas (pelo menos 1% dos eleitores brasileiros, divididos entre cinco estados, com não menos de 0,3% do eleitorado de cada estado), e protocolá-lo na Secretaria Geral da Mesa da Câmara Federal com garantia de não serem rejeitados por questões técnicas, onde a Comissão de Constituição e Justiça é obrigada a adaptar a redação do texto. O ultimo destes (Lei Complementar 135/2010) foi sancionado pelo Presidente Lula em junho e proíbe a candidatura de pessoas condenadas por órgãos colegiados da Justiça, a chamada Lei Ficha Limpa.
“Assine para acabar com a corrupção!” Dizia um dos sites que coletava assinatura para a petição. “O Brasil esta livre da corrupção!” Disseram outros após a sanção. Pois bem, a Lei foi criada, o TSE e os Tribunais Regionais ganharam novos arranjos orgânicos para cuidarem de sua correta aplicação. Veja, mesmo que de iniciativa popular, o brasileiro continua a transferir uma responsabilidade que é de cada um a alguns “esclarecidos”. O sistema necessário já existia: a urna, e o verdadeiro “esclarecido” deve ser o eleitor, e a cassação deve ser ausência de votos aos tais “Ficha Suja”. Como disse um de nossos “heróis esclarecidos”: “em Brasília tem corruptos, nepotistas, ladrões, enfim, pessoas de todo o tipo. O que não tem em Brasília são pessoas que NÃO FORAM ELEITAS.” Talvez precisasse apenas que os Tribunais de Justiça tornasse publico os antecedentes dos candidatos. Talvez o brasileiro não seja suficientemente esclarecido sobre o uso dos canais democráticos, inclusive e principalmente do voto.
Duvidando muito da limpeza da corrupção (salve Janio e sua vassoura!) via tribunais de justiça que proibirão candidaturas, vejo avanço no que diz respeito à instituição de um mecanismo que agrega às CPIs (cassação apenas política onde o acusado podia escapar da punição caso abandonasse o cargo antes da abertura do inquérito) uma tentativa de punir os corruptos, pois agora, o político estando ou não em exercício do cargo será investigado e julgado, parece ser o que de fato mudou.
Eleitor brasileiro seja punk: “CASSE VOCÊ MESMO”.



Wyllen R. Rodrigues